26.11.08

E no fim as coisas são como imaginei...

Lembro muito bem de todas as minhas fases como estudante - a cdf, a revoltada, a repetente, a marginal, a compenetrada - mas nenhuma vai me deixar tanta saudade quanto essa pela qual eu estou passando: a fase final.
Sempre imaginei a emoção de terminar pra sempre o colégio. Aulas nunca mais, festas enlouquecidas e altas viagens e a sensação de nunca mais ver professores... Mas não me sinto assim. Sinto uma década e meia da minha vida sendo deixadas pra trás sem um pingo de remorso, todas as pessoas e lugares e conversas e aulas indo embora pra ficar em um lugar que definitivamente não vai ser a minha memória, porque todo adulto não lembra nem da metade da sua vida escolar.
Que merda! Por que cargas d'água tem que acabar? Eu não quero ver meus ex-colegas velhos, quero tê-los sempre jovens, aqui, comigo!
Não quero ter que refazer amigos! Demorei muito tempo pra descobrir o verdadeiro sentido de confiança e amizade, custei a perceber que respeito é o principal ingrediente pra uma amizade dar certo, e justo agora, quando eu mais vou precisar de todos eles, vem o destino e nos separa sem nem ao menos perguntar se queremos essa separação!

Sim, por mais que doa ao meu orgulho dizer isso, eu vou sentir saudades doloridas de todos os momentos que passei com todos vocês.
No fim as coisas são, mesmo, como imaginei, mas eu espero poder contar com todos aqueles que se foram ao longo dessa infeliz trajetória escolar para a nova fase da vida de todos.

Agora sim, somos adultos.
(Embora muitos de nós não deseje isso...)

24.11.08

Onde foi parar o bom senso, meus Deus?!

Hoje era pra ser um dia especial pra comunidade. Era. Certamente alguns pensarão "oh, mas o que houve de tão importante assim?". Explico.
Há alguns anos o Colégio Unificado de Porto Alegre, cidade na qual moro e pela qual morro de amores, promove uma ação beneficente em que centenas de alunos se unem pra doar uma parte do seu corpo - o sangue.
A Ação Unificado Sangue Bom é noticiada pela mídia e altamente elogiada pela sociedade. Além disso, é admirável ver tantos adolescentes - aqueles que não se importam com nada e querem destruir o mundo maravilhoso e perfeito que nossos adultos criaram - se mobilizando para ajudar os hemocentros da cidade.
Porto Alegre precisa de sangue, e nós nos propusemos a doá-lo. Quantas milhares de pessoas se beneficiarão com aqueles 450g tirados do corpo de cada estudante? Não sei, sinceramente, mas é aqui que começa a minha revolta.
Onde está o bom atendimento para com aqueles que vêm de boa vontade doar o seu sangue? O sangue é nosso, não é poder público, pelo amor de Deus! Não nos importamos com o fato de não haver um "lanchinho" após a doação, muito pelo contrário, até entendemos! Afinal, o serviço é inteiramente gratuito, e há muito mais para se gastar do que com comes e bebes para quem é doador. Podemos, muito bem, levar o nosso lanche de casa.
Agora, descaso NÃO! Ouvi da boca de uma enfermeira a seguinte frase "tu não achas que são alunos demais?" Alunos demais?! Até onde eu sei os hemocentros são quase vazios!
Enquanto isso, outra enfermeira, que atendia somente o balcão, reclamava por ter que transferir as fichas que as prestimosas atendentes do nosso colégio preencheram à mão, alegando "atrasar todo o serviço que ainda tinha por fazer". Dizia também "ser loira e que neurônios não acompanhavam a composição da tinta". Ahn?! Como então conseguiu concluir o curso de enfermagem? Todos sabemos que esse curso não é tão fácil assim!
Simplesmente não doei. Não naquele hospital. Sou uma ferrenha defensora do bom préstimo de serviços e não admito ver tanto descaso e tanta grosseria vinda de pessoas que estão ali pra ajudar a salvar vidas.
O dia que algum parente dessas amáveis enfermeiras precisar de sangue, talvez, elas prestem atenção no que estão fazendo ali naquele hemocentro.

Por enquanto, é isso.