27.12.08

O náufrago Sanidade no mar Desespero

Abdiquei de muitas coisas pra estar aqui agora, mergulhada em revolta e nervosismo. Abdiquei de festa, de diversão, de sono e de folga, tudo pra estar aqui.
Horas que eu poderia ter usado pra ler um livro, pra conversar com amigos ou até pra ter brincado mais com meu gato eu desperdicei lendo, sublinhando e exercitando três anos de árduo estudo.
Dias em que eu podia ter ficado calma, olhando serenamente pro meu namorado ou até simplesmente dormindo eu gastei com cursinhos, livros maçantes e piadinhas muitas vezes sem graça de professores.
Todas as vezes em que eu poderia ter evitado uma briga com a minha família pelo fato de não desligarem a maldita tevê pra me dar um segundo só de silêncio, eu desejava era estar ali, rindo ao lado deles.
Tudo isso pra, agora, eu estar aqui, pensando em tudo o que eu abdiquei pra poder chorar de nervosismo, sentir como se uma cobra se remexesse no meu estômago, achar que todos estão contra mim e que nada vai dar certo. Tudo isso por causa de uma prova.
E então eu me pergunto... O que me moveu até aqui? Admito, não gosto de estudar, mas 1/5 dos meus dias durante quase um ano foi dedicado a isso.
E por quê cargas d'água eu me sinto tão perdida e tão sozinha, quando todos que eu amo estão aqui, ao meu lado, prontos para me ajudar na hora em que eu precisar?
E por quê, por quê eu me descabelo e não consigo dormir à noite por causa de um simples maço de papel?!
Desde quando uma prova me fez tão mal...?
ONDE ESTÁ O MEU BOM SENSO E A MINHA SANIDADE, MEU DEUS?

23.12.08

Mais uma declaração de eterno amor.

Leio poemas velhos de livros amarelados onde as traças já fizeram família. Será que tu me amas com o mesmo amor que te dou com tanta devoção e magia surreal?
Assisto a filmes mudos pra poder ouvir meus próprios soluços provindos do choro de emoção no momento em que a mocinha beija o rapaz por quem lutou durante 2 horas de uma vida inteira. Beijos assim podem acontecer em todos os momentos da nossa vida pérfida e insólita?
Caço borboletas do vigésimo andar de um edifício que se encontra numa rua onde as árvores são de asfalto cinza e morto. Algum dia uma borboleta terá mais cores que as que vejo dentro dos teus olhos de bolinha de gude?
Abro mão de abrir a janela pra ter no quarto o cheiro do perfume que tu trazes impregnado na camisa. E se um dia esse perfume entontecedor não puder mais me trazer o brio do resquício do nosso amor?
Esqueço ruas e bares e casas e viajens pra poder ter teu rosto permanentemente defronte os meus olhos. O que mais peço eu, meu Deus, se não que tu fiques pra sempre aqui, parado, sem sorrir nem chorar, olhando fixamente pra mim pra quando, na velhice, eu lembrar-me o quão lindo sempre fostes!
Sinto frio e arrepio só pra tu poderes me abraçar e sentires o quão importante e vital és pra mim. Mas nada pode ser mais vital que o calor que me passas a cada beijo e a cada afago que me trazes com ardor.
Ouço surda, falo muda e vejo cega a imagem do amor que tu trazes em tuas feições.