24.12.10

A ausência da grandeza em um mar de desilusão

Eu vou acordar ao meio dia do dia primeiro de janeiro. Não vou pensar. Não vou refletir. Vou sentir uma pontada no córtex frontal que vai acusar a forte bebedeira da noite anterior.
Eu vou descer as escadas e vou encontrar toda a minha família na sala, falando mal de mim, pra variar. E vão comentar o tanto que bebi, acrescentando que não tenho idade pra beber - apesar dos meus vinte anos - e que aquilo foi um grande desgosto pra família.
Eu vou subir novamente as escadas e vou fazer as malas. Não sou bem-vinda ali.
Vou embora.
Vou pra onde ninguém conheça eu ou o meu passado. Vou mudar meu nome. Meu jeito de pensar.
Não vou mais me apaixonar, nem gostar, nem me apegar. Simplesmente não vou.
Vou viver sozinha num mar de silêncio inatravessável. Numa redoma sem abas pra poder ser removida. Uma bolha. Hermética e segura contra sentimentos, desilusões e dor.
Eu vou fingir que o ano que passou não existiu.
Vou fingir que eu não fui feita de idiota, que eu não me apaixonei e que eu não chorei tantas vezes por quem eu nutri tão vil sentimento.
Eu morri em meio a tanta perda, tanta tristeza e tanta lágrima.
Eu morri.