Ele foi feito num dia de sol, um daqueles dias que eu odeio com todas as minhas forças. Odiava, até saber que ele estava dentro de mim.
Foi ligeiro e certeiro; não havia como saber que ele viria como um tornado. Me rasgando, dolorido, sofrido, irrompendo com força, com vontade de vingar.
E eu o amei desde o começo.
Ele veio na pressa, no momento errado e para as pessoas erradas, sem pensar nas consequências. Não interessa a ele o nosso futuro; não interessa quem vai conseguir aguentar a sua força e o seu gênio. Veio porque quis, veio porque deu na telha. Um pequeno genioso, desde o primeiro segundo. E ninguém pode pará-lo. Ele é um tornado, que destrói o que vê pela frente pelo simples fato de que quer. E como eu gosto de tê-lo aqui, me fazendo doer, me fazendo chorar. Porque, por enquanto, ele não se vai. Ele vai continuar destruindo tudo em volta, tudo à minha volta, de uma forma que me faça não querê-las, de uma forma que me faça gostar de tal destruição.
Ele cresce de dentro, destrói, quase mata, quer provar a todos a força e o poder que tem sobre mim; e é tão bom saber que é o meu, meu, meu tornado, o meu pequeno destruidor, a minha força da natureza, minha imagem e semelhança.
E me faz cantar, toda a vez que sinto a sua força.