5.1.12

A carta que tu talvez nunca leia.

Hoje eu percebi o quanto tu é real. O quanto a tua vinda vai mudar o meu mundo e o de tanta gente mais. Hoje eu notei que eu tenho só mais uns poucos dias a sós contigo, sem que ninguém me peça pra te pegar no colo ou que incomode teu sono tranquilo.
Foram os meses mais difíceis das nossas vidas, mas foram os que mais me mudaram. Me despiram do egoísmo, da imaturidade, e me vestiram com coragem e amor. Muito amor.
E, ao mesmo tempo que eu desejo mais que tudo poder te abraçar e sentir o teu cheiro de uma vez, a minha vontade é de que tu fique aqui, dentro de mim, seguro e quentinho pra sempre. Porque tu é o meu, só meu presente e, embora eu nada tenha pra te dar agora além de mim mesma, tenho desejos que transbordam de dentro de mim.


Desejo que tu nasça com calma e paz, no tempo e hora certos;
Que tu seja tranquilo enquanto bebê, porque o mundo está sendo ligeiro demais pra nós dois;
Mas também desejo que teu choro seja alto e claro, como o choro de quem realmente sabe o que quer;

Que tua infância seja longa e doce, e que teus brinquedos sejam o teu paraíso; 
Desejo que tu saiba resolver de forma responsável os teus próprios problemas, porque nem sempre eu vou poder te ajudar. E que tu saiba que, enquanto eu estiver aqui, eu sempre vou te aconselhar e te defender;
Desejo que os livros sejam teus amigos, mas que tu tenha pelo menos um amigo de carne e osso em quem possa confiar;
Tenha sonhos que sejam sempre embalados por coisas boas e que, se não for possível, tu saiba que a minha cama e meu abraço sempre vão te proteger;
Que tua revolta não seja grande e passageira, mas sim branda e duradoura. A revolta dá sabor à vida;
E que tu saiba como amar. E ainda que saiba que, apesar de doloroso, o amor dói menos que ignorar um sentimento;
Paciência, para que tu sempre consiga chegar onde quer. Inteligência, para saber como chegar lá. Humildade, para que tu nunca esqueça de quem te ajudou no percurso todo;
Que tu erre, mas que saiba que os erros devem ser consertados de uma vez, e nunca remoídos para sempre;
Um pouco de compreensão, pra que tu entenda que nem sempre os dias são bons e nem sempre a gente tem tudo;
Incompreensão, porque tu é livre pra pensar e sentir o que quiser;
Que tu preze pelo correto e pelo justo, e que nunca faça mal a ninguém de propósito;
Desejo fé, porque todo homem de bem deve ter algo para se apoiar;
Desejo maturidade, mas que ela venha na hora certa;


E desejo que, quando tu crescer, tu tenha visto que eu coloquei todo o meu amor em cada gesto pra ti, por menor que fosse.



Bem vindo, meu Rafael.

8.10.11

Se eu soubesse...

...que eu iria me acabar aos poucos, que a vontade de sorrir seria consumida pela vontade de chorar, que depois de tudo, isso não significa nada...

...eu teria guardado o melhor de mim pra quem quisesse tê-lo.

11.7.11

I - O Tornado

Ele foi feito num dia de sol, um daqueles dias que eu odeio com todas as minhas forças. Odiava, até saber que ele estava dentro de mim.
Foi ligeiro e certeiro; não havia como saber que ele viria como um tornado. Me rasgando, dolorido, sofrido, irrompendo com força, com vontade de vingar.
E eu o amei desde o começo.
Ele veio na pressa, no momento errado e para as pessoas erradas, sem pensar nas consequências. Não interessa a ele o nosso futuro; não interessa quem vai conseguir aguentar a sua força e o seu gênio. Veio porque quis, veio porque deu na telha. Um pequeno genioso, desde o primeiro segundo. E ninguém pode pará-lo. Ele é um tornado, que destrói o que vê pela frente pelo simples fato de que quer. E como eu gosto de tê-lo aqui, me fazendo doer, me fazendo chorar. Porque, por enquanto, ele não se vai. Ele vai continuar destruindo tudo em volta, tudo à minha volta, de uma forma que me faça não querê-las, de uma forma que me faça gostar de tal destruição.
Ele cresce de dentro, destrói, quase mata, quer provar a todos a força e o poder que tem sobre mim; e é tão bom saber que é o meu, meu, meu tornado, o meu pequeno destruidor, a minha força da natureza, minha imagem e semelhança.
E me faz cantar, toda a vez que sinto a sua força.

19.5.11

Desabafo sem sentido.

Livros de receita me fazem chorar.
Não é que eu seja ruim de cozinha, ou que eu não entenda nada do que está escrito lá. Muito pelo contrário.
Sou sozinha, entenda; não há um amor para quem eu possa cozinhar, não há uma mesa bonita num dia ensolarado onde pessoas felizes se sentem, não há sequer as pessoas felizes.
Nem eu sou feliz.
As lágrimas brotam pela ausência do amor. Não sei bem se do amor, mas talvez dos sonhos que pipocam na minha cabeça ao ver todas aquelas figuras e... enfim.
Sinto falta de ter pra quem cozinhar. Sinto falta de acordar alguém com um café da manhã cheio de clichês e de coisas boas pra se comer. Sinto falta de alguém pra olhar ternamente enquanto come. De alguém que minta que a comida está boa, quando eu errei a mão. Talvez de alguém pra, quem sabe, dar a mão e dizer "eu te amo".
Enquanto esse alguém não se manifesta, eu sigo me contentando em fazer qualquer coisa só pra mim.

11.5.11

Desabafo.

É como estar sentada no meio da escuridão à espera do nascer do sol. Eu não me mexo. Não ouso emitir um som sequer. Estou assim há dias, semanas, meses, e o sol não quer nascer para mim.
Me pergunto se nesse teu olhar existe mais que esses segredos que tu oculta, mais que esses sentimentos que tu ignora. Tenho medo desse olhar, porque é ele que me impede de te perguntar o que se passa debaixo desses cabelos castanhos e curtos.
É como atravessar o sinal aberto para os carros com uma venda nos olhos. Meu coração pede a tua mão na minha, pra me guiar, mas meu instinto sabe que ela nunca tocará meus dedos. Ao mesmo tempo que me sinto bem ao seu lado, me sinto insegura, temerosa do que está por vir.
Dói mais que os pingos grossos de uma tempestade em pleno inverno.Dentro de mim algo diz pra parar, pra te esquecer, pra admitir que eu nunca vou passar de só uma diversão.
Só uma diversão.
Tu realmente achou que, nesse tempo todo, eu nunca ia sentir nada de mais forte por ti? Em que mundo tu estava quando imaginou que essa diversão ia ser pra sempre só uma diversão?
Eu não sou como tu.
Medo todos têm, e eu mais que todos, talvez. Mas por que eu, com todo esse medo, tive a coragem de me permitir sentir algo além do simples e direto desejo, algo mais forte que uma amizade morna? Por que esse teu medo todo? Por que essa tua indiferença toda?
Há algo de estranho na tua maneira de me tratar. Algo de amoroso no abraço e de frio e distante no teu olhar. Algo que eu nunca vou decifrar.
Eu não sou igual a ti, meu caro.
Tu bem sabe que eu não choro, e tu foi o único por quem eu realmente chorei. O único que me faz sentir o coração dilacerado ao mais leve tom de mau humor da tua voz. O único por quem eu tenho essa paciência de Buda à espera do Nirvana.
É como boiar em alto-mar. À deriva das tuas vontades, dos teus humores, dos teus desejos. E eu estou perdida, sem saber que rumo tomar. Perdida numa estrada onde o começo, o meio e o fim têm teu rosto estampado nas placas.
Não sou boa com sentimentos. Não sou boa com relacionamentos, nem quero um. Mas é como tu dar as chaves da tua casa a alguém sem saber as suas reais intenções.
Não tenho essa presunção toda de achar que eu significo algo para ti além de uma amiga que atende a todos os teus desejos. Me mantenho calada e choro no silêncio do meu travesseiro essa ânsia de entender o que tu realmente quer de mim.
Eu sei que eu não sou como todas as tuas outras garotas; não sou a mulher mais bonita que tu já encontrou, nem tenho o mais belo dos corpos, muito menos o rosto mais harmonioso que tu já viu. E se eu não tenho nada disso, me pergunto o que tu viu em mim.
Também sei que tu nunca vai me tratar como tratou todas as outras. Eu não sou as outras. Eu sou só mais uma, uma qualquer que sabe o lugar que lhe cabe: nenhum.
E eu bem sei que o medo de te perguntar tudo isso é tão, tão grande que eu tenho vontade de sumir da tua vida. Pra sempre.
O que tu quer de mim?
É como andar em círculos e, olha, ninguém gosta de andar assim. Quando tu pensa que acaba, começa tudo de novo e a dor não aumenta, juro, mas eu presto muito mais atenção nela quando recosto a cabeça no teu peito à espera do beijo que nunca vai vir.
Me dá uma razão pra não ir embora, ou um motivo pra continuar. Só uma.
Tô perdida, meu bem.
Tô fodida.