11.5.11

Desabafo.

É como estar sentada no meio da escuridão à espera do nascer do sol. Eu não me mexo. Não ouso emitir um som sequer. Estou assim há dias, semanas, meses, e o sol não quer nascer para mim.
Me pergunto se nesse teu olhar existe mais que esses segredos que tu oculta, mais que esses sentimentos que tu ignora. Tenho medo desse olhar, porque é ele que me impede de te perguntar o que se passa debaixo desses cabelos castanhos e curtos.
É como atravessar o sinal aberto para os carros com uma venda nos olhos. Meu coração pede a tua mão na minha, pra me guiar, mas meu instinto sabe que ela nunca tocará meus dedos. Ao mesmo tempo que me sinto bem ao seu lado, me sinto insegura, temerosa do que está por vir.
Dói mais que os pingos grossos de uma tempestade em pleno inverno.Dentro de mim algo diz pra parar, pra te esquecer, pra admitir que eu nunca vou passar de só uma diversão.
Só uma diversão.
Tu realmente achou que, nesse tempo todo, eu nunca ia sentir nada de mais forte por ti? Em que mundo tu estava quando imaginou que essa diversão ia ser pra sempre só uma diversão?
Eu não sou como tu.
Medo todos têm, e eu mais que todos, talvez. Mas por que eu, com todo esse medo, tive a coragem de me permitir sentir algo além do simples e direto desejo, algo mais forte que uma amizade morna? Por que esse teu medo todo? Por que essa tua indiferença toda?
Há algo de estranho na tua maneira de me tratar. Algo de amoroso no abraço e de frio e distante no teu olhar. Algo que eu nunca vou decifrar.
Eu não sou igual a ti, meu caro.
Tu bem sabe que eu não choro, e tu foi o único por quem eu realmente chorei. O único que me faz sentir o coração dilacerado ao mais leve tom de mau humor da tua voz. O único por quem eu tenho essa paciência de Buda à espera do Nirvana.
É como boiar em alto-mar. À deriva das tuas vontades, dos teus humores, dos teus desejos. E eu estou perdida, sem saber que rumo tomar. Perdida numa estrada onde o começo, o meio e o fim têm teu rosto estampado nas placas.
Não sou boa com sentimentos. Não sou boa com relacionamentos, nem quero um. Mas é como tu dar as chaves da tua casa a alguém sem saber as suas reais intenções.
Não tenho essa presunção toda de achar que eu significo algo para ti além de uma amiga que atende a todos os teus desejos. Me mantenho calada e choro no silêncio do meu travesseiro essa ânsia de entender o que tu realmente quer de mim.
Eu sei que eu não sou como todas as tuas outras garotas; não sou a mulher mais bonita que tu já encontrou, nem tenho o mais belo dos corpos, muito menos o rosto mais harmonioso que tu já viu. E se eu não tenho nada disso, me pergunto o que tu viu em mim.
Também sei que tu nunca vai me tratar como tratou todas as outras. Eu não sou as outras. Eu sou só mais uma, uma qualquer que sabe o lugar que lhe cabe: nenhum.
E eu bem sei que o medo de te perguntar tudo isso é tão, tão grande que eu tenho vontade de sumir da tua vida. Pra sempre.
O que tu quer de mim?
É como andar em círculos e, olha, ninguém gosta de andar assim. Quando tu pensa que acaba, começa tudo de novo e a dor não aumenta, juro, mas eu presto muito mais atenção nela quando recosto a cabeça no teu peito à espera do beijo que nunca vai vir.
Me dá uma razão pra não ir embora, ou um motivo pra continuar. Só uma.
Tô perdida, meu bem.
Tô fodida.

Nenhum comentário: