3.4.11

Resposta ao "Ode ao caminho sem volta".

Meu amigo, Eduardo Maraninchi, escreveu essa poesia pra mim. Entendi-a como uma resposta ao post anterior.

Tu estavas linda
neste dia
Um Buda de pedra, terrível
e nirvanático.
A corda
Em teu pescoço era uma
jóia, rara
e provavelmente pagã.
Eu não sei porque
a tirei do teu pescoço;
era tua coroa
de flores, teu rosário. Era
a tua celebração do sofrimento.
Era tu, cada fibra, cada
centímetro rasgado,
cada litro
de vida, esvaído de teus
pulmões jovens,
tristes
sacos de escuridão.
Era tu, intocável e
invencível. Para
além deste mundo, como um
disco voador ou
uma imensa estrela que
súbito se apaga.
Deixaram deslizar sobre
teu rosto esta máscara
de porcelana.
Uma geisha, uma linda geisha,
De mãos atadas, uma prece
pendendo em teus lábios,
púrpura e sem vida.
Deixaram deslizar
a humanidade para longe
dos teus olhos, sementes
vazias de flores.
Mas tu estavas linda,
e eu impotente, tentando
agarrá-la no ar,
agarrar o ar. Galgar o ar.
E era apenas ar,
e o teu corpo, um monumento,
uma escultura, um, um...!
Já não vale a pena
lembrar de ti assim, concha
onde me oculto e me desfaço.
Adeus, pérola negra.

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