2.10.08

Competi-Dor

Nunca sofri perdas dolorosas ou tive ma vida sofrida. Pelo contrário, ela sempre foi amena e sem grandes emoções freqüentes. Mas eu tenho as minhas dores.
Não pense que elas são uma piada; se você, pessoa sofrida, que só comeu o pão que o diabo amassou, achar isso, é porque é um perdedor. E perdedores nunca acham que há dor maior que a sua.
Eu sofro de amor, sofro de saudade, sofro de rejeição. Eu sou um ser humano, dotado de razão, emoção. E dor.
Quando eu sofro de amor não estou sofrendo a pior das lástimas; amor é sublime e gostoso de se sentir. Eu gosto, e muito, dessa dor.
Ah, tudo bem, você pode ter sofrido a vida toda por um amor que nunca lhe correspondeu à altura, ou deve ter sido alguém que nunca foi amado e nem será... Mas eu sofro a dor gostosa de ser amada, de amar, de ter alguém ao meu lado todos os dias... Alguém que me liga pra saber como eu estou, me superprotege - e não que eu goste disso, mas é tão bom ser a bonequinha de vidro de alguém...! - e que se preocupa com a minha saúde e o meu bem-estar.
Quando eu sofro de rejeição, não me sinto só, ou mal amada, ou até mesmo rejitada. Me sinto incompreendida por aqueles que me cercam e -pasmem!- até por aqueles que dizem, em vão, me amar. Não me refiro a quem antes me referi quando disse sofrer por amor, e, sim, a outrem.
Mas você pode ser uma daquelas pessoas que nunca teve amigos nem amores e mora com quarenta e sete gatos num apartamento quarto-e-sala. Sim, eu tenho amigos e familiares, e por mais que às vezes eu os odeie, na maior parte do tempo eu gosto - e amo, mas só os familiares - e aturo as intemperanças deles, e eles, as minhas.
Quando eu sofro de saudade, eu sinto a perda de pessoas e bichos que amei. Nunca senti saudade de alguém que nunca tivesse demonstrado a mínima afeição por mim, e, juro, nunca sentirei.
E você é uma daquelas pessoas que, além de ser mal amada e morar com trocentos gatos num JK é órfã de pai e mãe e seus pais, por sua vez, foram ambos órfãos de pai e mãe. Não lhe tirarei os louros de pessoa mais sofrida do universo, imagine... Mas eu sinto a dor da saudade que se expande no peito, se espalha pela cabeça, mãos e pés, que dói profundamente no estômago toda vez que eu penso em quem perdi... E paro por aqui, porque olho pra mim e não consigo ver dores maiores que essas no meu âmago; você pode se sentir o mais desgraçado do universo, o mais perdido no mundo, o mais sozinho... Mas você nunca vai poder dizer que a sua dor é maior que a dos outros, se não a conhecer.

E que Deus nunca me traga a dor de perder um filho.

Um comentário:

ParadoxoEmExpansão disse...

meio tétrico, mas eu gostei
sofridinha
x)
;@@@@@@@@@