22.9.09

19.9.09

Aaaah, o vestibular...!

Recebi esse email hoje mesmo de uma amiga...
Você, vestibulanda como eu, DEVE ler!

Você anda estudando como uma cavala, engordou 3 kilos, perdeu o namorado, tem mais pentelho que cabelo e parece não ter mais tempo pra nada. Você é vestibulanda e quer a vaga de qualquer jeito, certo? Pois bem, eu poderia lhe dizer para manter a calma, estudar muito, assistir as peças teatrais dos livros. Mas eu sei que você não é retardada, amiga. Mas anote essas outras dicas:

Matando seus concorrentes

Normalmente você dividirá a sala com seus concorrentes, já que as salas são divididas por cursos. E mais do que fazer pontos, a intimidação na sala de aula é essencial. Preparada?

Toda sala tem uma gordinha ansiosa. Ela vai estar lá, preenchendo a carteira com o seu cuzão, louca pra prova começar de uma vez. E você, linda, cheirosa e cheia de orgulho de si, vai sentar, cruzar as pernas, olhar nos olhos da gordinha e tirar 3 Ferrero Rocher's da bolsa e colocar em cima da mesa. Pronto, a gorda perdeu toda a concentração. E você uma concorrente.

Se você vai tentar algum curso em que a maioria é homens, a dica é abusar. Bata um papo com o carinha de trás: "Tá nervoso? Quando fico nervosa fico muito molhada, dá uma vontade de trepar, de chupar um pau, loucura, né?" Menos um.

Se você faz a linha porca... está com sorte. Solte peidinhos esporádicos de 10 em 10 minutos. Além de aliviar a tensão e a ansiedade, seus concorrentes irão perder um bom tempo se acostumando com o frescor do seu intestino.

Faça barulhos irritantes. Bata com a ponta do lápis na mesa, arrasta a sola do tênis no chão, faça aquele clic-clic com a caneta, suspire. Tenha em mente: Sou chata, mas tenho a minha vaga. Se o fiscal reclamar, peça desculpas, diga que está ansiosa.

Toda vez que entrar em uma matéria que você tem dificuldade e ver que não sabe responder... Faça alguns X's aleatórios na folha e faça de conta que é tudo muito ridículo, passe a folha na maior autoridade e deixe seus companheiros de sala com o cu na mão. Mas nunca deixe transparecer que você é um jegue.

Leve água, não esqueça. Sempre tem um morto de sede na sala. Sempre. Ele tem sede e você a água. Ponto pra você.

Coloque pânico na sala. Chame o fiscal e fale em tom razoável: "Oi, estou me sentindo um pouco insegura, meu namorado prometeu entrar na sala e meter 7 balas na minha cara, é que ele me pegou transando com um amigo e não gostou, você pode garantir que estou segura?" Menos 30.

Mas não deixe de estudar, viu?



Se você não tem coragem de realizar nenhuma dessas façanhas, ou leu e achou inútil, pelo menos riu da sua própria cara, porque em um dos papéis você certamente se encaixa.

Vestibular é uma merda.

14.9.09

Não é que dava um conto, mesmo...?

Madrugada, quarto escuro, um casal.
- Não lembro se eu já li Robson crusoé.
- E que tem a ver isso com o contexto?
- Nada... Só não lembro se eu já li.
- Hm...
- Qual o nome da ilha?
- Sei lá, não li Robson Crusoé.
- Malta, né?, acho que é Malta...
- Deve ser...
- Não lembro se eu já li Robson Crusoé...
- Mas por que tu tá repetindo isso?
- É poético.
- Tu está bêbado.
- Não... E eu faço o que eu conseguir pra provar que não.
- Certamente tu está bêbado.
- Quem escreveu Robson Crusoé? Alan Poe?
- Não... Alan poe escrevia suspense.
- E romance.
- Mark Twain.
- Hm...
Ela beija o braço dele, já impaciente. Ele continua.
- Isso daria um conto.
- Daria?
- Aham. Mas deveria ter um narrador onipresente e onisciente.
- Pra saber o que se passa nas nossas cabeças?
- Não, pra saber o que se passa na tua cabeça. Na minha não tem nada no momento.
Ela fica intrigada, ele certamente está bêbado.
- Já reparou como algumas coisas em inglês não têm o menor sentido em português?
- E coisas em português não têm o menor sentido em inglês.
- Nada a ver... O Engenheiros já lançou um cd todo em inglês.
- Deve ter ficado feio.
- Até que não... Só não preservaram as cacofonias.
- Cacofonias... Quando uma palavra termina com o mesmo fonema da próxima a começar.
- Cacofonia é na frase que...
- Mas credo, é isso que eu acabei de falar, ora... Tá falando com uma futura professora de literatura!
- Então, dona professora de literatura, por que tu não escreve esse conto?
- Hm...
Quando ele calaria a boca e a beijaria? Ele prossegue.
- Tem tanta coisa em inglês que não combina quando a gente passa pro português... E tanta coisa que a gente adotou que não combina com o português...
- Foi a gente que deixou...
- Foi o mundo.
- Eu digo a gente '' a humanidade''.
- Ah tá.
Ele ficava quieto, ela achava que ele tinha dormido. Ledo engano.
- Música em inglês pro português não fica boa, fica sem sentido.
- Pior.
- Tem várias coisas que não têm sentido em português. Quer ouvir uma?
- Fala, mor...
- Turn me on.


















Nota da autora: Foi William DeFoe quem escreveu Robson Crusoé.

2.9.09

Um conto - Parte 1.

Sento-me aqui à sua frente com cara de quem vem para contar apenas uma história. E é o que farei.
Nenhum relacionamento parte de uma amizade pura e sincera. Não, um relacionamento parte do pensamento que surge naquela parte inaudível das nossas mentes de que devemos tocar, cheirar, beijar e olhar mais profundamente aquela pessoa.
Ela não se apaixonara à primeira vista, nem à segunda, muito menos ele. Antes lhes dei tempo para cheirar e tocarem e beijarem e adimirarem um ao outro, com toda a calma e todo o ardor do mundo, e eles o fizeram com primazia.
Mas vim para contar a paixão dessas duas pessoas de um jeito completamente parcial e torto - vim para contar a versão dela.
Era um tempo um tanto quanto perturbado na cabeça de uma menina de apenas 17 anos que queria abraçar o mundo com as pernas. Não era a mais responsável dentre seus semelhantes, nem a mais inconsequente. Era ela apenas, em essência e personalidade moldável.
Nem de longe era uma heroína ou uma mocinha; era humana, antagônica, imperfeita. Assim como ele sempre fora. Nesse tempo ainda estavam fora de alcance um do outro. Mas esse dia haveria de chegar.
Nunca, nem no devaneio mais insano daquela umazinha ela imaginaria que ele estava entranhado em um mar de fibras óticas, nem que num piscar de olhos ele estaria entrelaçado em seus cabelos.
E ele era ardiloso feito cobra cujo veneno é doce e cheiroso; suas palavras, apesar de escritas, soavam como música em seus ouvidos e seu corpo latejava só de pensar nele. Àquela altura você pode imaginar, caro leitor, que ela imediatamente deitara ao seu lado, encostando seus braços gelados nos braços de fogo que ele possuía.
Não foi bem assim.
Ela tinha medo, não sei bem de que, já que ela sempre se julgara destemida. Escapou da primeira, da segunda, mas foi maldosamente capturada na terceira vez.
Era inevitável que ela fosse ao encontro dele, e por mais medo que tivesse, era movida pela curiosidade.

Não fique assim, não se descabele de curiosidade. Eu prometo voltar outra hora para contar o resto.