Sento-me aqui à sua frente com cara de quem vem para contar apenas uma história. E é o que farei.
Nenhum relacionamento parte de uma amizade pura e sincera. Não, um relacionamento parte do pensamento que surge naquela parte inaudível das nossas mentes de que devemos tocar, cheirar, beijar e olhar mais profundamente aquela pessoa.
Ela não se apaixonara à primeira vista, nem à segunda, muito menos ele. Antes lhes dei tempo para cheirar e tocarem e beijarem e adimirarem um ao outro, com toda a calma e todo o ardor do mundo, e eles o fizeram com primazia.
Mas vim para contar a paixão dessas duas pessoas de um jeito completamente parcial e torto - vim para contar a versão dela.
Era um tempo um tanto quanto perturbado na cabeça de uma menina de apenas 17 anos que queria abraçar o mundo com as pernas. Não era a mais responsável dentre seus semelhantes, nem a mais inconsequente. Era ela apenas, em essência e personalidade moldável.
Nem de longe era uma heroína ou uma mocinha; era humana, antagônica, imperfeita. Assim como ele sempre fora. Nesse tempo ainda estavam fora de alcance um do outro. Mas esse dia haveria de chegar.
Nunca, nem no devaneio mais insano daquela umazinha ela imaginaria que ele estava entranhado em um mar de fibras óticas, nem que num piscar de olhos ele estaria entrelaçado em seus cabelos.
E ele era ardiloso feito cobra cujo veneno é doce e cheiroso; suas palavras, apesar de escritas, soavam como música em seus ouvidos e seu corpo latejava só de pensar nele. Àquela altura você pode imaginar, caro leitor, que ela imediatamente deitara ao seu lado, encostando seus braços gelados nos braços de fogo que ele possuía.
Não foi bem assim.
Ela tinha medo, não sei bem de que, já que ela sempre se julgara destemida. Escapou da primeira, da segunda, mas foi maldosamente capturada na terceira vez.
Era inevitável que ela fosse ao encontro dele, e por mais medo que tivesse, era movida pela curiosidade.
Não fique assim, não se descabele de curiosidade. Eu prometo voltar outra hora para contar o resto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário