20.9.10

Como quer.

"Depois que se deita na cama de um estranho, ele fica mais conhecido que muitos dos seus amigos", é o que ela pensava.
Por muitos anos não adotara daquela filosofia, até que um dia provara; foi bom, embora vazio. E era de vazio que se resumia sua vida desde então.
Emoções não eram forte e sempre preferira ter muitos e nenhum ao mesmo tempo.
"Assim não dói, sabe, quando um resolve ir embora."
Mas o que lhe deu prazer foi o fato de ter deitado ali, e ter deixado ali a marca da sua presença. Deu prazer saber que dela só lembrariam o prazer em si, e se lembrarem, seria com aquele sorrisinho interno que mistura malícia e vontade.
Não se gabava, longe disso, era até mediana - veja bem, não era uma deusa da beleza e da boa forma, nem uma Afrodite no cio, servil e ardente. Era alguém, e nem disso se lembrariam, quem sabe.
Ossos do ofício.
Um dia tanto amara, e hoje nem a si mesma sentia esse tão nobre sentimento.
Deitara ali pensando como um viciado que mente para si. "Só mais essa vez, e juro, calo minhas vontades". Pobre dela, que não pensava mais de uma única vez e nem agia sem antes fazê-lo.
Pobre dela, que saíra dali querendo mais.
Saíra como queria.

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