Remexi todas as minhas gavetas, à procura das contas atrasadas. Achei uma caixa pequena, daquelas que a gente compra em lojinha de artesanato; abri e me deparei com aquelas lembranças. Cartas, fotos, as nossas alianças.
Foi estranho lê-las todas, as cartas. Tinham gosto amargo e envelhecido. Gosto de adolescência.
E eu já não tenho idade pra rememorar sentimentos.
Senti um nojinho de lembrar de todas as vezes em que nos agarramos, sem pudor, em pracinhas onde crianças balançavam sem entender os olhares de reprovação das mães sobre nós dois; senti pena de todas as vezes que falhaste e eu disse 'tudo bem, meu amor, acontece.'
Acontece que não acontecia assim como acontecia contigo, que ironia.
Fiquei velha demais para sentimentalidades e saudosismos? Não, fiquei realista demais para tais sentimentos.
Que dirão meus filhos quando souberem que a avó dos netos deles fugia de casa pra se trancar no quarto do namoradinho proibido?
Ririam, certamente...
Assim como eu rio de mim mesma.
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