Até a tinta da parede tinha descascado, tão velha era a casa. Já era velha quando fomos para lá; dos móveis restaram apenas as fotos e as lembranças daquilo que parecia ter sido um tempo bom.
Grande merda, o pó. Deitei no chão, pernas esticadas na parede, uma inversão do sentar convencional.
A porta grande da varanda escancarada trazia os restos do jardim.
Que saudade daqueles dias onde ficávamos deitados na cama até a hora de voltar a dormir.
Virei a cabeça. A infiltração na parede fazia desenhos de rostos desconhecidos.
Fechei os olhos.
Virei para o outro lado.
Eu saberia reconhecer teus pés em qualquer lugar do mundo.
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